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Conrado Hübner Mendes e o fim do salamaleque beletrista

Como Buñuel, a quem faz referência no seu mais recente livro “O discreto charme da magistocracia”, Mendes incomoda e é necessário
Cena de "O Discreto Charme da Burguesia", de Luis Buñuel
Cena de "O Discreto Charme da Burguesia", de Luis Buñuel - Reprodução

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Alexandre Mendonça

Conrado Hübner Mendes é corajoso. Sua coragem o faz bater de frente com autoridades de diversos matizes, geralmente muito mais poderosos que ele, armado apenas da razão e de um raciocínio muito afiado, entregue para o debate embrulhado em linguagem simples e uma boa dose de sarcasmo.

Conrado Hübner Mendes é político. Não na acepção mesquinha e partidária da palavra, mas dentro do conceito da grande política, da busca pela concretização dos ideais mais altos da nossa república. Essa atuação nem é nova na família Hubner Mendes, uma vez que seu irmão Rodrigo é o fundador do famoso Instituto Rodrigo Mendes, que desde 1994 luta pela educação inclusiva no Brasil.

Conrado Hübner Mendes é um grande intelectual. Professor amado por seus alunos (dentre eles, este que escreve), intelectual público na acepção da palavra, pesquisador rigoroso, consigo e com quem trabalha. 

Imparcialidade republicana

Todas essas características estão presentes em seu novo livro, “O discreto charme da magistocracia”, que acaba de ser lançado pela Todavia. No evento de lançamento realizado na semana passada, na Escola de Direito da Universidade de São Paulo, no tradicional Largo de São Francisco, Conrado disse aos presentes que o fio condutor de sua nova obra era a discussão dos rituais e cuidados que garantem a imparcialidade republicana, que por sua vez é esteio do Estado Democrático de Direito.

Modesto, disse ainda que o desafio de escrever na grande imprensa, no debate público, é muito maior que o de escrever academicamente, pois o acadêmico tem um luxo que o intelectual público não tem: tempo. Tempo para maturar percepções, aprofundar pesquisas, calibrar os ataques. Mas mesmo assim, os ataques de Conrado são certeiros, cirúrgicos, fundamentados.

E o inimigo é a cultura bacharelesca e beletrista que dá origem à característica por excelência da elite brasileira: a conciliação por cima.

Nos salões, para discordar devemos pedir desculpas, mesmo que aquele a quem pedimos desculpas seja uma pessoa vil. Esse inimigo é atacado de maneira contundente, mas elegante, sempre.

Normalização do absurdo

Por fim, não da para escapar de comentar o título, que remete à obra de Luis Buñuel, no filme “O discreto charme da burguesia”. No filme, foco da narrativa é em um grupo de pessoas que não conseguem ter uma refeição juntas pelos mais bizarros fatores, desde o esquecimento do convite para jantar, até um treinamento militar acontecendo no local. Os acontecimentos, por mais absurdos que sejam, são serenamente aceitos pelos personagens que ou convivem com a situação ou simplesmente se afastam.

E esse é o mote de todo texto de Mendes: a normalização do absurdo.

Sejam os absurdos dos ministros do STF, suas relações espúrias nos bastidores de Brasília, seja em instâncias inferiores em outras paragens. Mendes, como Buñuel, incomoda, e é necessário.

O Discreto Charme da Magistocracia: vícios e disfarces do judiciário brasileiro
Conrado Hübner Mendes
Todavia
328 páginas 
R$ 79,90

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