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Rejeição de mães pelo mercado de trabalho traz encolhimento da família

50% das mulheres são desligadas até dois anos após a licença-maternidade
Empresas devem oferecer condições para que mães conciliem todas suas funções
Empresas devem oferecer condições para que mães conciliem todas suas funções - Vitolda Klein / Unsplash

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Renata Lino

O resultado do Censo de 2022 chegou no final de junho com uma informação que já era de se esperar: a família brasileira diminuiu. Hoje, segundo a média calculada pelo IBGE, o núcleo familiar do país tem menos de três pessoas. 

Esse dado pode ser causado por uma série de motivos. Mas, como uma profissional que atua no campo da empregabilidade de minorias, em específico de mães, vejo essa tendência como um resultado da agressão de muitas empresas às mulheres que se tornam mães. 

50% das mulheres são desligadas até dois anos após a licença-maternidade no mercado de trabalho brasileiro.

Essa estatística é devastadora, mas reflete, de fato, inúmeros relatos que recebo em meus encontros e minha própria experiência pós maternidade.

Mulheres são mais preteridas em relação a homens para vagas de emprego pela simples possibilidade futura de uma licença-maternidade. Quando – e, se – ocorre o fato, é comum que ela perca oportunidades de promoção e passe por situações constrangedoras perante seus pares.

Sua posição piora em eventuais momentos em que os filhos adoecem e ela não pode levá-los à creche ou escola. Inconcebível então, é a situação de uma mãe de filhos atípicos, que precisa acompanhá-los em seus longos tratamentos médicos. 

Essa realidade, frente à necessidade inquestionável de estar inserida no mercado de trabalho por independência financeira, além de almejar objetivos profissionais, tem feito com que cada vez menos mulheres tenham vontade e, principalmente, coragem de ter filhos. 

Constrangimento

O constrangimento de mulheres pelo sonho da maternidade, por si só, é uma questão recorrente nas empresas brasileiras que não podemos mais aceitar. Mas não só isso, a redução contínua da nossa população jovem pode desencadear problemas muito maiores em um futuro próximo. 

Precisamos começar a pensar nossa sociedade como o ecossistema complexo que ela é. Cada decisão tem consequências. Cada grupo social, (mais de) uma função. 

Excluir um grupo da força de trabalho não beneficia a máquina como um todo. Muito pelo contrário. 

Engajadas

Essa decisão, além de mesquinha e misógina, é contraproducente. Mães apresentam maior engajamento, empatia e capacidade de trabalho em equipe.  E mesmo assim, cada vez menos mulheres têm filhos por medo de prejudicar sua vida profissional. 

Isso prejudica a força de trabalho futura. Lembre-se de que os homens brancos, jovens, fluentes em inglês (perfil mais buscado por recrutadores) de amanhã estão sendo gerados hoje. E quanto menos crianças, menos trabalhadores no futuro. 

O resultado lógico: em pouquíssimo tempo, nossa previdência social não se sustentará. Não teremos pessoas suficientes ativas no mercado para sustentar a população idosa que tanto nos apoiou e que segue crescendo pela evolução da ciência, medicina e qualidade de vida. Teremos uma população envelhecida que não poderá se aposentar por falta de quem a sustente. Nossa expectativa de vida será reduzida, e também nossa qualidade de vida.

Pelo mundo

Esse problema já se faz presente há algum tempo em outros países. Recentemente, uma clínica italiana teve a iniciativa de oferecer bônus em dinheiro para que seus funcionários tenham filhos, em meio a uma tendência de baixa natalidade no país. Políticas semelhantes já existem em diversos países europeus e asiáticos. No entanto, é preciso uma mudança cultural de acolhimento de mães no mercado de trabalho. Incentivos financeiros pontuais não serão suficientes para alterar o quadro de encolhimento da população. 

Por isso, empregador: não seja parte do problema. Não contribua com essa estatística medonha de demitir mulheres por conta da maternidade. Ouse fazer diferente e busque estratégias de retenção de mães na sua empresa. Ofereça boas condições para que elas possam conciliar todas as suas funções. O futuro do país depende de você. 

a autora

Renata Lino é fundadora e CEO da MommyTech, startup de recolocação de mães no mercado de trabalho.

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