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Inovação tecnológica e cooperação internacional reduzem desigualdades no acesso à saúde

Integração digital e produção regional passam a ser tratadas como infraestrutura estratégica de saúde
Especialistas e autoridades debatem em Frankfurt inovação tecnológica, cooperação internacional e acesso global à saúde
Regulation & Investment - Frankfurt 2026

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Da Redação

Investir antecipadamente em inovação tecnológica, com cooperação internacional e foco em equidade, deixou de ser escolha técnica e passou a ser decisão estratégica para preparar o mundo para as próximas ameaças e crises de saúde, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas. Esta foi a principal mensagem do primeiro painel do Regulation & Investment – Frankfurt 2026, realizado em 2 de março na Goethe-Universität Frankfurt am Main, na Alemanha, e organizado pelo Dinter – Diálogos Intercontinentais.

O debate contou com a participação de Karl Lauterbach, Ex-Ministro da Saúde da Alemanha; Aurélia Nguyen, vice-diretora executiva da Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI); Sidney Klajner, Presidente do Hospital Israelita Albert Einstein; e Alexandre Padilha, Ministro da Saúde do Brasil. O moderador foi Roland Göhde, Presidente do Conselho de Administração da German Health Alliance (GHA). 

Os painelistas defenderam que a sustentabilidade dos sistemas de saúde não será alcançada apenas com aporte de capital, mas com reorganização da governança tecnológica, fortalecimento da capacidade regional de produção e alinhamento regulatório entre nações. “É preciso garantir que a saúde não seja um privilégio para alguns, mas um direito para todos”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em vídeo enviado especialmente ao evento.

A discussão evidenciou que a inovação, sem governança efetiva, pode ampliar as assimetrias globais e aprofundar desigualdades, por exemplo, no acesso a vacinas e terapias. “Vemos surgir um consenso internacional de que o acesso equitativo às tecnologias de saúde não é caridade, mas um componente essencial da infraestrutura estratégica”, disse Aurélia Nguyen. A especialista ainda reforçou que o isolamento regulatório é um risco sistêmico, já que “ninguém está seguro até que todos estejam protegidos”, como foi comprovado durante a pandemia da Covid-19.

Nguyen observou também que persistem lacunas significativas de financiamento na saúde e que a preparação para epidemias e pandemias continua sendo subfinanciada em comparação ao custo das respostas emergenciais. Dessa forma, responder tarde ou lentamente resulta em perdas humanas e econômicas desnecessárias. Ela citou o caso da vacina contra o Ebola, que já havia se mostrado segura e eficaz, mas não foi plenamente desenvolvida a tempo de evitar custos bilionários e milhares de mortes.

Se a vulnerabilidade é financeira e institucional, a resposta passa pela compressão de tempo entre pesquisa, regulação e produção. Ao abordar o papel da tecnologia, Nguyen afirmou que a inteligência artificial pode ajudar a prever ameaças virais, acelerar o desenho de vacinas, otimizar ensaios clínicos e melhorar processos de fabricação. No entanto, a tecnologia sozinha não basta. É preciso governança adequada, financiamento estável, capacidade regulatória preparada e compartilhamento de dados confiáveis. “Quando ciência, política e financiamento se alinham, podemos construir um futuro mais seguro”, afirmou.

No plano geopolítico, Karl Lauterbach ampliou o diagnóstico. O ex-ministro da Saúde da Alemanha afirmou que o mundo vive um momento de desafios e oportunidades na saúde sem precedentes. Segundo ele, a humanidade está entrando em uma nova era, marcada por riscos crescentes, mas também por avanços científicos capazes de transformar a saúde global e acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos e vacinas em escala inédita.

Para Lauterbach, a probabilidade de novas pandemias continua aumentando. Fatores como mudanças climáticas, migração e alterações ambientais aceleram a disseminação de doenças infecciosas e exigem sistemas mais preparados para vigilância, prevenção e resposta rápida.

Se no plano global o debate foca em preparação e financiamento, no plano operacional a questão passa por como aplicar tecnologia para reduzir desigualdades concretas. Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, destacou o papel da tecnologia, como a computação quântica e a inteligência artificial, em diversas áreas do setor da saúde, desde a predição da complicação de quadros até a otimização da gestão. O médico também ressaltou o perigo de deixar polarizações políticas dominarem decisões sanitárias e substituírem critérios técnicos por disputas ideológicas, sobrepondo evidências científicas.

O debate sobre saúde abriu a programação do evento com a sinalização de que regulação e investimento, no setor sanitário, passaram a integrar a agenda estratégica de segurança e desenvolvimento. O Regulation & Investment – Frankfurt 2026 segue até o dia 6 de março, reunindo autoridades públicas, lideranças empresariais, acadêmicos e especialistas do Brasil e da Alemanha para discutir regulação, investimento, riscos, financiamento e cooperação internacional em setores estratégicos. A iniciativa integra a agenda do Dinter – Diálogos Intercontinentais, plataforma voltada à articulação entre governos, setor privado e centros de pesquisa para a construção de soluções institucionais de longo prazo.

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