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Acordo Mercosul-UE é resposta geopolítica à “lei da selva”, diz William Waack

Jornalista diz que acordo vai além do comércio e precisa perseguir uma agenda comum
William Waack fala em Frankfurt sobre o acordo Mercosul-União Europeia e seu papel geopolítico na nova ordem internacional.
William Waack

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Da Redação

O acordo entre Mercosul e União Europeia não é apenas um tratado comercial nem pode ser analisado sob a ótica restrita de tarifas e exportações. Para o jornalista William Waack, da CNN Brasil, o ponto central é geopolítico. “O que está sendo pouco compreendido é o fator geopolítico”, afirma. Na avaliação do jornalista, reduzir o debate a ganhos comerciais ignora que o entendimento entre os blocos é reação direta a uma mudança estrutural na ordem internacional.

Waack sustenta que o avanço do acordo foi impulsionado por uma deterioração do ambiente global. Segundo ele, Brasil e União Europeia demoraram décadas para concluir um tratado que poderia ter sido firmado 25 anos atrás. “O mundo está indo para a lei da selva. A lei da selva só interessa aos fortões”, disse após participar de um painel sobre a construção e os desafios de implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia, no Regulation & Investment, organizado pelo Dinter – Diálogos Intercontinentais, na Goethe-Universität Frankfurt am Main.

Na leitura de Waack, a América do Sul não pertence a esse grupo. O acordo, portanto, carrega um valor simbólico que vai além da economia. Trata-se, segundo ele, de afirmar algum grau de coordenação entre blocos médios em um ambiente dominado por potências que operam pela lógica da força.

Instabilidade interna ameaça convergência

Se externamente o tratado representa, na visão de Waack, uma tentativa de coordenação estratégica, internamente o cenário é de incerteza. Questionado se os contextos domésticos dos parceiros favorecem a consolidação do acordo, o jornalista foi direto: “Não favorecem.” Segundo ele, tanto Europa quanto Brasil estão concentrados em seus próprios impasses políticos.

No caso europeu, alinhar 27 países em torno de uma agenda comum é tarefa complexa, como se viu nas respostas divergentes à guerra na Ucrânia e nas discussões sobre a relação com os Estados Unidos. “O mais fácil é realmente tentar abrir o bloco para relações comerciais. O resto é muito mais difícil e vai demorar”, afirmou.

No Brasil, o horizonte eleitoral amplia as dúvidas sobre o posicionamento internacional do país no médio prazo. “Nós estamos indo para uma eleição empatada. Uma eleição que significa o que, em termos de alinhamento político internacional?”, questionou. Para ele, a equação não envolve apenas Bruxelas e Brasília. “A relação entre Brasil e Europa passa não só pelos Estados Unidos, passa pela China.”

Waack mencionou ainda o reposicionamento recente da Argentina como exemplo da volatilidade regional. Mudanças rápidas de orientação política podem alterar prioridades externas e redesenhar alianças, o que adiciona novas camadas de imprevisibilidade ao processo de integração.

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