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Cortes Constitucionais não podem virar atores políticos, alerta Ino Augsberg

Professor alemão afirma que judicialização excessiva pode corroer legitimidade, mas defende tribunais como limites necessários em sociedades polarizadas
Professor Ino Augsberg concede entrevista em Frankfurt durante evento sobre regulação e democracia, discutindo judicialização e papel das cortes constitucionais.
Ino Augsberg

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Da Redação

A expansão do protagonismo das supremas cortes impõe um teste permanente à própria natureza do Judiciário. Para Ino Augsberg, professor titular de Direito Público na Christian-Albrechts-Universität zu Kiel, tribunais constitucionais só preservam legitimidade se permanecerem fiéis à sua natureza institucional ao fundamentarem decisões com base na Constituição. Ao decidirem a partir de convicções pessoais, as cortes correm sério risco de enfraquecer a própria legitimidade.

“Os tribunais constitucionais não podem recorrer a uma espécie de ativismo judicial e se transformar em atores políticos”, afirmou em entrevista em Frankfurt durante o evento Regulation & Investment, realizado pelo Dinter – Diálogos Intercontinentais na Goethe-Universität Frankfurt no último dia 2. 

Judicialização tem efeitos ambíguos

O professor reconhece que a crescente judicialização de temas sensíveis produz efeitos ambíguos. Por um lado, pode gerar uma “hiperjuridificação” da esfera pública, deslocando debates políticos para o Judiciário. Por outro, cortes constitucionais exercem função essencial ao estabelecer limites à atuação dos demais poderes.

Em sociedades polarizadas, decisões judiciais tendem a ser lidas sob lentes partidárias. Para Augsberg, a polarização enfraquece a força dos argumentos constitucionais e pressiona tanto parlamentos quanto tribunais. “Nesse contexto, torna-se ainda mais necessário preservar um marco constitucional estável como base sólida para o debate político”, disse Augsberg.

Tensão inevitável, cooperação possível

A relação entre cortes e parlamentos, para Augsberg, é estruturalmente tensa. Tribunais constitucionais podem anular decisões legislativas, e essa tensão não pode ser eliminada. O caminho não é negar o conflito, mas administrá-lo, no que ele defende como uma “coexistência cooperativa”. 

O Parlamento deve compreender o papel contramajoritário da corte, enquanto o tribunal precisa respeitar a legitimidade democrática direta do Legislativo. A tensão permanece, mas dentro de parâmetros institucionais claros, explica.

Risco de politização interna das cortes

Augsberg vê a polarização como fator adicional de fragilidade. Partidos tendem a radicalizar posições e a transformar decisões judiciais em alvo político. Ao mesmo tempo, surge um dilema institucional: como evitar que a polarização externa se reproduza dentro da própria corte?

Na Alemanha, lembra, juízes constitucionais são indicados por forças políticas que refletem a composição do eleitorado. Excluir partidos com grande representação seria antidemocrático. “Se um partido tem 30 ou 40% do eleitorado, é muito difícil argumentar que não deva ter alguém representando-o na Corte Constitucional”, diz.

O problema, alerta, é que representantes mais radicalizados podem alterar profundamente o padrão de argumentação interna do tribunal. “É um momento altamente perigoso nesse sentido.”

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