Por Diego Trindade Cáceres
A implementação da reforma tributária começou a transformar a rotina fiscal das empresas e acelerou a busca por soluções tecnológicas capazes de garantir conformidade, reduzir riscos operacionais e automatizar processos. Com isso, as taxtechs ganham protagonismo ao oferecer plataformas que validam documentos fiscais em tempo real, automatizam obrigações acessórias e aprimoram a gestão de créditos fiscais, ajudando a enfrentar uma transição que exigirá a convivência entre dois modelos de tributação pelos próximos anos.
Em 1º de janeiro de 2026, teve início a fase de testes do novo modelo. Os contribuintes que emitem notas fiscais passaram a destacar o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), ainda com caráter exclusivamente informativo e sem compor o valor total da operação. Mesmo nessa etapa, as empresas precisam adaptar seus sistemas de gestão para consultar regras tributárias em tempo real, evitando inconsistências cadastrais e a rejeição das emissões.
A partir de agosto de 2026, o nível de exigência aumenta. Empresas não optantes pelo Simples Nacional deverão preencher obrigatoriamente as informações da CBS nas notas fiscais, enquanto a ausência dos campos de IBS e CBS poderá gerar sanções. Na prática, significa operar simultaneamente dois modelos tributários: de um lado, ICMS, ISS, PIS e Cofins; de outro, IBS e CBS. Essa convivência exige reconfiguração dos ERPs, reconciliação entre diferentes bases de cálculo e capacitação das equipes fiscais sem interromper a operação.
Nesse cenário, as taxtechs ajudam a validar notas fiscais antes da transmissão, o que reduz rejeições por inconsistências, automatizam o cumprimento de obrigações acessórias conforme os constantes ajustes nos padrões exigidos pela legislação, e apoiam a gestão de créditos tributários em um sistema baseado no modelo de débito e crédito. Com a migração para um processo de ressarcimento mais transparente, tais soluções diminuem o risco de créditos deixarem de ser aproveitados. O próprio regulamento da reforma reconhece esse ganho operacional ao estabelecer um sistema mais automático, previsível e nacional, com potencial para reduzir erros, litígios e custos.
A transição também impõe desafios adicionais. As frequentes atualizações nos formatos de notas fiscais eletrônicas, das declarações de plataformas digitais e da DeRE ao longo de 2026 exigem sistemas capazes de incorporar mudanças rapidamente. A partir de 2027, as empresas ainda precisarão adaptar a base de cálculo, a escrituração e as obrigações acessórias, além de revisar contratos e cadeias de suprimentos, já que a carga tributária poderá variar conforme o setor e a estrutura dos insumos.
Nos próximos anos, a automação deverá avançar sobre diferentes processos, incluindo a emissão e validação de notas fiscais eletrônicas com cálculo simultâneo de IBS e CBS, a apuração de créditos tributários, a precificação e simulação tributária por produto ou serviço, a gestão de regimes específicos e mecanismos como o cashback tributário e o rastreamento de benefícios para pessoas físicas, que dependerão da integração entre dados fiscais e o Cadastro Único.
Cabe alertar que adiar a adaptação pode trazer consequências relevantes. Embora 2026 tenha sido estruturado como um período de transição, com tolerância para empresas que demonstrem boa-fé e avancem na implementação das mudanças, esse prazo é limitado. A partir de agosto, falhas no registro das informações de IBS e CBS poderão gerar a obrigação de recolhimento dos tributos ainda durante a fase de testes e, em 2027, a CBS passa a vigorar integralmente com a extinção definitiva de PIS e Cofins.
Empresas que deixarem a adequação para a última hora ficarão mais expostas à rejeição de notas fiscais, autuações, multas, perda de créditos tributários, distorções na formação de preços e aumento do retrabalho das equipes fiscais. Em um cronograma que se estende até 2033, investir desde já em tecnologia fiscal, muito mais que uma medida de conformidade, é uma estratégia para garantir eficiência operacional e uma transição mais segura para o novo sistema tributário.
