Rosatom conclui testes de componente estratégico do primeiro cíclotron supercondutor russo para terapia com prótons

Condutor magnético de 127 toneladas é aprovado em testes de fábrica e marca avanço do projeto MSC-230, que combinará tratamento de câncer de alta precisão, terapia flash com prótons e pesquisas biomédicas de ponta
primeiro cíclotron supercondutor russo para terapia com prótons

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Da Redação

A Rosatom deu mais um passo no desenvolvimento de tecnologias avançadas para a medicina nuclear ao concluir com sucesso os testes de fábrica do condutor magnético que integrará o MSC-230, o primeiro cíclotron supercondutor russo baseado em um acelerador de prótons isócrono de 230 MeV. Desenvolvido pela NIIEFA, empresa da corporação estatal russa especializada em sistemas eletrofísicos de alta complexidade, o equipamento foi projetado para o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear (JINR), em Dubna, e será utilizado tanto no tratamento de pacientes com câncer quanto em pesquisas biomédicas voltadas ao desenvolvimento de novas aplicações médicas.

Considerado um dos componentes mais importantes do futuro complexo, o condutor magnético é formado por um eletroímã com 3,86 metros de diâmetro, 1,9 metro de altura e peso total de 127 toneladas. Sua fabricação exigiu níveis extremamente rigorosos de engenharia e precisão, incluindo tolerâncias de apenas 0,05 milímetro para as folgas entre os componentes e 0,02 milímetro para o paralelismo das estruturas magnéticas. A aprovação nos testes valida parâmetros essenciais para o funcionamento do sistema e abre caminho para a próxima etapa do projeto, que inclui a entrega do equipamento ao JINR em 2026, sua integração ao criostato supercondutor e a realização de testes operacionais completos.

O MSC-230 representa um dos projetos mais ambiciosos da medicina nuclear russa. Além de permitir aplicações convencionais de radioterapia por prótons, a instalação foi concebida para operar em modos avançados de feixe destinados à terapia flash com prótons, tecnologia considerada uma das fronteiras mais promissoras da oncologia moderna. O método consiste na administração de doses ultraelevadas de radiação em períodos extremamente curtos, possibilitando atingir tumores com alta precisão e reduzindo significativamente os danos aos tecidos saudáveis ao redor da área tratada.

Desenvolvido em parceria entre o JINR e a NIIEFA desde 2022, o complexo reúne competências científicas e industriais de alto nível. O JINR é responsável pelo desenvolvimento de um sistema exclusivo de enrolamento supercondutor e do criostato baseado em tecnologias empregadas no complexo NICA, uma das principais infraestruturas científicas da Rússia. Já a NIIEFA responde pelo desenvolvimento do núcleo magnético, do sistema de aceleração, da fonte de íons, dos sistemas de alinhamento e travamento, além de diversos sistemas auxiliares que garantem a operação segura e eficiente do equipamento.

O avanço do projeto reforça a estratégia da Rosatom de expandir sua atuação além do setor energético, consolidando-se como uma das principais desenvolvedoras de tecnologias para saúde, medicina nuclear e produção de radiofármacos. A iniciativa também faz parte dos esforços russos para fortalecer a soberania tecnológica nacional na área da saúde, ampliando a disponibilidade de equipamentos médicos de alta complexidade e criando infraestrutura própria para diagnóstico, pesquisa e tratamento de doenças de grande impacto social, como o câncer.

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