Da Redação
São Paulo, julho de 2026 – A Inteligência Artificial deixou de ser uma tendência para se tornar parte da rotina da Advocacia brasileira com percepção de complementaridade, e não de substituição. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pela AASP – Associação dos Advogados, que traça um amplo panorama sobre a adoção da tecnologia, suas oportunidades, desafios e expectativas para o futuro da profissão.
A pesquisa foi realizada pela AASP com o objetivo de compreender como a Inteligência Artificial vem sendo incorporada ao exercício da Advocacia e quais são as percepções da classe sobre seus impactos, oportunidades e desafios. O levantamento quantitativo, realizado entre 14/5 e 14/07/2026, reuniu 1.149 respostas de pessoas associadas à entidade, de diferentes estados, faixas etárias e áreas de atuação jurídica.
O questionário abordou o perfil dos participantes, a frequência de uso de ferramentas de IA, os impactos na produtividade, o nível de confiança nas respostas geradas, os principais riscos percebidos, expectativas, a necessidade de regulamentação, a demanda por capacitação, a preferência por soluções desenvolvidas especificamente para a Advocacia brasileira e as principais aplicações da tecnologia na rotina profissional.
A pesquisa afirma que três em cada quatro advogados defendem regulamentação do uso da Inteligência Artificial na profissão e revela que 75% dos entrevistados defendem a criação de regras específicas para disciplinar o uso da Inteligência Artificial na Advocacia. Ela também mostra que o avanço da IA vem acompanhado da preocupação com transparência, responsabilidade e segurança jurídica, indicando que a regulamentação é vista pela maioria como condição para ampliar a confiança na adoção dessas ferramentas.
A amostra reúne, majoritariamente, profissionais experientes: 81,3% têm mais de 45 anos. Em relação ao gênero, 49,9% se identificam como homens cisgênero e 43,7% como mulheres cisgênero. A pesquisa também apresenta diversidade de especialidades jurídicas, com predominância do Direito Civil (31,4%), seguido por profissionais que atuam em múltiplas áreas (14%), Direito do Trabalho (13,8%), Direito de Família e Sucessões (11,6%) e Direito Empresarial (9,7%).
Entre os principais resultados, destaca-se que 87,4% dos respondentes já utilizam alguma ferramenta de Inteligência Artificial em sua atividade profissional e, desse total, 62,1% afirmam fazer uso frequente da tecnologia. Apesar da elevada adoção, 85,3% reconhecem a necessidade de capacitação específica para utilizar essas ferramentas de forma adequada na prática jurídica.
A pesquisa também demonstra que a Advocacia enxerga a Inteligência Artificial como um fator de transformação estrutural da profissão. Para 95,6% dos participantes, a tecnologia provocará mudanças relevantes nos próximos dez anos, sendo que 77,5% acreditam que essas transformações serão profundas.
Os benefícios percebidos já são concretos. Para 84,3% dos profissionais, a IA aumenta a produtividade ao apoiar atividades como pesquisa jurídica, elaboração de peças, organização de informações e análise de jurisprudência. São justamente tarefas que tradicionalmente demandam grande volume de tempo e que passam a ser executadas com maior agilidade, permitindo que Advogadas e Advogados concentrem seus esforços em atividades estratégicas, analíticas e na relação com seus clientes.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela uma visão equilibrada sobre o uso da tecnologia. Para 75,4% dos entrevistados, as respostas produzidas pela Inteligência Artificial são confiáveis desde que submetidas à revisão humana, enquanto apenas uma parcela reduzida afirma confiar integralmente no conteúdo gerado pelas plataformas.
As principais preocupações também aparecem de forma clara. Mais da metade dos participantes (54%) aponta como maior risco as chamadas “alucinações” da IA, ou seja, a produção de informações incorretas. Em seguida aparecem o uso sem supervisão humana (23,2%), a dependência excessiva da tecnologia (14%) e os riscos relacionados ao sigilo profissional (7,2%).
Mesmo diante da rápida evolução da Inteligência Artificial, a percepção predominante é de complementaridade, e não de substituição. A maioria dos profissionais acredita que a tecnologia assumirá atividades operacionais e repetitivas, enquanto funções relacionadas à estratégia, interpretação jurídica, julgamento e relacionamento humano continuarão sendo essencialmente desempenhadas pela Advocacia.
Outro dado expressivo aponta para a necessidade de regras claras para a utilização dessas ferramentas. Para 74,2% dos respondentes, o uso da Inteligência Artificial na Advocacia deve ser regulamentado, refletindo uma preocupação crescente com segurança jurídica, responsabilidade e ética na aplicação da tecnologia.
Entre os resultados considerados mais estratégicos pela Associação, destaca-se o fato de que 90,3% dos participantes acreditam que uma solução de Inteligência Artificial desenvolvida especificamente para a Advocacia brasileira seria mais segura e eficiente do que plataformas de uso geral. Para os profissionais, ferramentas especializadas, treinadas para compreender o Direito brasileiro, sua legislação, jurisprudência, linguagem técnica e dinâmica processual, oferecem maior confiabilidade para a prática jurídica.
“A pesquisa demonstra que a Advocacia entrou em uma nova etapa de maturidade em relação à Inteligência Artificial. A tecnologia deixou de ser uma tendência para se tornar parte da rotina profissional. O desafio agora é preparar a Advocacia para um futuro em que inovação, conhecimento e segurança caminhem juntos”, afirma Paula Lima Hyppolito Oliveira, Presidente da AASP.
Para a Associação, a pesquisa representa um retrato do atual estágio da Advocacia diante da Inteligência Artificial e reforça que o futuro da profissão passa pela qualificação permanente e desenvolvimento de soluções concebidas especificamente para atender às necessidades do ecossistema jurídico brasileiro.
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Com base em sua experiência e visão de futuro, a AASP investe de forma contínua na qualificação da Advocacia, oferecendo uma ampla programação de cursos sobre temas jurídicos relevantes, além de um portfólio robusto e inovador de serviços.
Entre os principais recursos disponibilizados estão a plataforma de assinaturas digitais, ferramenta de verificação de provas digitais, software de gestão de escritórios e processos, sistema de intimações on-line com uso de inteligência artificial, emissão e renovação de certificados digitais, publicações especializadas, clipping diário de notícias e um avançado sistema de pesquisa de jurisprudência.
Fundada há 83 anos, a entidade possui atuação nacional e reúne cerca de 75 mil associadas e associados em todos os Estados do país. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma instituição de referência, ampliando continuamente sua relevância por meio de uma atuação alinhada às demandas contemporâneas, com destaque para a incorporação da agenda ESG.
Nesse contexto, a adesão a programas de redução e compensação de carbono resultou na conquista do selo VGP, reforçando seu compromisso com a sustentabilidade. Ao integrar tecnologia, conhecimento e propósito, a AASP reafirma sua missão de potencializar e facilitar o exercício da Advocacia, contribuindo ativamente para a evolução e modernização do setor jurídico no Brasil.
