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Como a tecnologia ajuda a evitar tragédias como no Rio Grande do Sul e na Itália

Para enfrentar os problemas ambientais é necessário usar a tecnologia dentro de uma perspectiva crítica
Tragédia no Rio Grande do Sul deixou quase 100 mil e afetou 3,6 milhões de pessoas
Tragédia no Rio Grande do Sul deixou quase 100 mil e afetou 3,6 milhões de pessoas - Freepik

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Renato Cirne

Com a industrialização crescente há mais de dois séculos, o planeta enfrenta um aumento progressivo na emissão de gases de efeito estufa. Estamos falando de um acelerador de tragédia, como a que atingiu o Rio Grande do Sul nos últimos meses, em uma catástrofe sem precedentes.

Mas embora seja frequentemente vista como vilã do processo, a tecnologia também demonstra potencial para agir como uma força poderosa para o bem ambiental.

Por que isso importa?

A discussão sobre o papel da tecnologia na prevenção de tragédias ambientais é crucial para alinhar o progresso tecnológico com a sustentabilidade. Tecnologias limpas e práticas inovadoras de marketing ambiental podem mitigar os impactos das mudanças climáticas, promover desenvolvimento econômico sustentável, contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e reforçar a necessidade de legislação clara e eficaz sobre sustentabilidade.

Vamos aos exemplos. A Tesla revolucionou a indústria automobilística com seus veículos elétricos de alto desempenho. Empresas como a Beyond Meat estão transformando a indústria alimentícia ao oferecer alternativas sustentáveis à carne. A Nest Labs, com seus termostatos inteligentes, tem ajudado residências e empresas a reduzir significativamente o consumo de energia.

Essas cleantechs – startups que se dedicam à preservação do meio ambiente e à redução do impacto ambiental – são apenas exemplos de empresas que não só contribuem diretamente para a redução das emissões de carbono, mas influenciam setores da economia global a repensarem seus processos e produtos.

Biomarketing

Em outra frente, empresas de tecnologia aplicada à comunicação influenciam a opinião pública sobre questões ambientais, catalisam ações globais e ajudam a mobilizar recursos.

É nesse contexto que surge o biomarketing. Esse conceito inovador transforma orçamentos aplicados à publicidade convencional em fundos que apoiam diretamente projetos sustentáveis. Esse é o princípio do Plantah. O aplicativo lançado em abril durante o Web Summit, promove um encontro qualificado entre pessoas, empresas e organizações voltadas a causas sustentáveis. Trata-se de um mix equilibrado entre rede social e captação de recursos, com acontece nos famosos fund raisers, como o Vakinha, por exemplo.

O Plantah, uma clean martech desenvolvida no Brasil, garante que a interação em sua plataforma contribua diretamente para iniciativas com impacto tangível no mundo físico.

Para quem esse assunto interessa?

O tema interessa a empresas e investidores comprometidos com práticas ESG, governos que queiram fortalecer políticas de sustentabilidade, cleantechs, startups ambientais, e a sociedade como um todo, que se beneficia da redução de riscos ambientais. Além disso, organizações e profissionais de marketing são diretamente impactados, influenciando a opinião pública e mobilizando recursos para projetos sustentáveis.

Dinheiro

Quando estudamos a história dessas empresas fica fácil entender o crescimento do investimento em empresas que adotam práticas sustentáveis – notável nos últimos anos.

De acordo com o mais recente relatório da Global Sustainable Investment Alliance, o volume de ativos sob gestão em estratégias de investimento sustentável alcançou US$ 35,3 trilhões no início de 2020, representando um aumento de 15% em comparação com 2018. 

Esse aumento reflete uma tendência global em que investidores, tanto institucionais quanto privados, estão cada vez mais comprometidos em alocar capital em empresas que demonstram responsabilidade ambiental, social e de governança, ou seja, que invistam em ESG. O surgimento de fundos de investimento focados em sustentabilidade é outro reflexo direto dessa tendência. 

Menos riscos

Estas tendências são apoiadas por um crescente corpo de evidências que sugerem que investimentos em sustentabilidade podem oferecer riscos mais baixos e retornos comparáveis, se não superiores, aos investimentos tradicionais. Relatórios do Fórum Econômico Mundial têm indicado que as empresas que lideram em práticas de ESG tendem a ter melhor desempenho operacional e podem alcançar retornos mais altos sobre seus investimentos. 

Paralelamente, governos ao redor do mundo fortalecem cada vez mais seus compromissos com políticas de sustentabilidade. Isso estimula o desenvolvimento de novos fundos de investimento focados em projetos de energia limpa, agricultura sustentável e conservação de recursos naturais.

Essas iniciativas refletem um entendimento global crescente de que o desenvolvimento econômico não precisa estar em desacordo com a saúde ambiental. Ao contrário, a integração de objetivos sustentáveis nas estratégias de investimento é agora vista como imperativo para garantir a resiliência econômica e ambiental no longo prazo. A continuidade desse movimento depende não só da disponibilidade de capital, mas também da criação de um quadro regulatório que suporte e promova práticas de investimento responsáveis.

ODS

Esse conjunto de iniciativas, aliado ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias limpas e de práticas inovadoras de marketing, são essenciais para que possamos alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU. Contribuem para a proteção ambiental e impulsionam a economia abrindo novos mercados e criando oportunidades de emprego.

Portanto, enquanto avançamos na exploração do potencial da tecnologia para resolver problemas ambientais, é vital manter uma perspectiva crítica.

A tecnologia não é apenas uma ferramenta, mas um catalisador de mudança, capaz de enfrentar grandes desafios ofertando soluções sustentáveis que beneficiam tanto a sociedade quanto o meio ambiente.

O futuro que buscamos depende não apenas da inovação tecnológica. Depende de nossa capacidade de aplicar essas inovações de maneira que alinhe progresso econômico com responsabilidade ambiental e social. Se não queremos ver outras tragédias como no Rio Grande do Sul, na Itália, no Quênia e tantos outros lugares, esse futuro precisa ser sustentável.

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Renato Cirne

Sócio do Renato Cirne Advogados, é conselheiro de Conformidade na ACRJ e sócio do +QD. Possui certificado de Conformidade da KPMG e CISI e ISO 37001. Também é mestre em Propriedade Intelectual e Inovação no INPI / UFRJ.

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