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Como seu Chief Dispute Prevention Officer garante economia e reputação?

Prevenir é melhor que remediar: mais barato e mais eficiente
A prevenção de disputas funciona como uma salvaguarda para o sucesso empresarial.
A prevenção de disputas funciona como uma salvaguarda para o sucesso empresaria - Freepik

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Randall Neto

“Prevenir é melhor que remediar” é um dito popular que cabe perfeitamente quando estamos falando de conflitos corporativos. Muito se tem discutido sobre a necessidade de novas funções dentro das organizações modernas. 

Um texto recente aqui no +QD abordou a inovação necessária na criação do Chief Dispute Prevention Officer (CDPO), um papel que ainda não é comum mas é de vital importância. Pois bem, sou eu essa pessoa. 

Com mais de duas décadas de experiência como general counsel, eu afirmo: a prevenção de disputas é uma necessidade não apenas prática, mas também estratégica.

Prevenção

Conflitos empresariais são como tempestades que pairam sobre o horizonte das empresas, ameaçando a tranquilidade e a estabilidade conquistadas com anos de trabalho árduo.

Além de serem desgastantes emocionalmente, essas batalhas legais são notoriamente caras, demoradas e têm o poder de reduzir a cinzas reputações cuidadosamente construídas. No entanto, em meio a esse cenário desafiador, surge uma pergunta crucial: como as empresas podem se proteger dos estragos produzidos por disputas que podem surgir a qualquer momento?

Dados de 2022 do Comitê de Prevenção de Disputas do CPR (International Institute for Conflict Prevention & Resolution) revelam uma estatística surpreendente: menos de 2% das empresas adotam práticas eficazes de prevenção de litígios.

Essa estatística, por si só, é alarmante, especialmente quando consideramos os enormes custos associados a disputas judiciais, arbitrais e administrativas. 

No âmbito empresarial, a prevenção de disputas é muito mais do que evitar batalhas legais dispendiosas; é um investimento estratégico na saúde financeira e na reputação de uma organização.

Imagine, por um momento, o tempo e os recursos gastos em processos legais complexos, com advogados, juízes, peritos e litigantes. Cada minuto consumido por um processo judicial representa não apenas uma perda de produtividade, mas também custos substanciais em taxas legais e despesas relacionadas.

Portanto, a prevenção de disputas não deve ser vista como um mero protocolo, mas como uma salvaguarda fundamental para o sucesso empresarial.

Experiência

De minha experiência, emergiram três pilares fundamentais que considero cruciais na arte de prevenir e mitigar disputas no ambiente empresarial.

1. Conflitos com clientes: contratos transparentes e expectativas claras

A primeira pedra fundamental da prevenção de conflitos com clientes reside na construção de contratos que sejam não apenas juridicamente sólidos, mas também transparentes e compreensíveis.

É fundamental antecipar e compreender as circunstâncias que podem levar um cliente a desejar a rescisão de um contrato. Ao prever esses cenários potenciais, as empresas podem elaborar estratégias de gestão de conflitos proativas e soluções alternativas, como a renegociação de termos contratuais, para evitar litígios dispendiosos.

2. Conflitos com fornecedores: contratos examinados e parcerias estratégicas

A prevenção de conflitos com fornecedores é uma faceta crítica da gestão empresarial. Para estabelecer parcerias bem-sucedidas, a análise cuidadosa de contratos é indispensável. Cláusulas que tratam de questões como fidelidade e rescisão merecem atenção meticulosa, pois podem ser pontos de discórdia se não forem claras e equitativas.

Uma relação sólida com fornecedores não se limita a acordos contratuais; ela se baseia na confiança mútua e na capacidade de solucionar desentendimentos de forma eficaz e colaborativa.

3. Conflitos com colaboradores: cultura organizacional e respeito mútuo

Prevenir conflitos com colaboradores vai além de simplesmente contratar e demitir bem. É um processo que começa no momento do recrutamento e se estende por toda a jornada do colaborador na empresa.

É fundamental desenvolver uma cultura organizacional que valorize verdadeiramente seus membros, indo além de discursos corporativos vazios. A prevenção de conflitos começa com a criação de uma cultura que promova o respeito mútuo, a comunicação aberta e a resolução colaborativa de problemas.

O valor da “autoridade”

Da experiência, aprendi também que uma das formas mais poderosas de legitimar a abordagem de prevenção de disputas é por meio da construção de “autoridade” nessa área. Essa “autoridade” não se refere apenas à capacidade de resolver problemas legais quando surgem, mas também à habilidade de evitar que esses problemas sequer ocorram.

Quando olhamos para a ausência de problemas trabalhistas em meu histórico, é evidente que a prevenção desempenha um papel crucial. Um ambiente de trabalho livre de disputas e litígios trabalhistas não é apenas uma demonstração de boas práticas de gestão, mas também uma afirmação poderosa de que a prevenção de conflitos é levada a sério e eficazmente implementada.

Além disso, o estabelecimento de relacionamentos sólidos com clientes e fornecedores desempenha um papel fundamental na construção dessa “autoridade”. Quando as relações comerciais são conduzidas de maneira ética, transparente e eficiente, elas não apenas criam uma base sólida para o sucesso, mas também demonstram o compromisso com a prevenção de conflitos.

Papel do CDPO

Investir em um Chief Dispute Prevention Officer não é apenas uma tendência moderna; é uma necessidade estratégica que pode economizar quantias significativas para a empresa. O verdadeiro valor de um CDPO está em sua capacidade de criar, manter e fomentar uma cultura organizacional que prioriza a prevenção de conflitos e litígios.

Mas mais do que ter um CDPO, é essencial instaurar uma cultura que evite conflitos.

Ele age como um guardião dessa cultura, garantindo que todos os níveis da organização estejam alinhados na meta de fazer da empresa não apenas um local rentável, mas também um lugar melhor para todos trabalharem.

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