Da Redação
A ambição da Índia de multiplicar sua capacidade nuclear nas próximas duas décadas abriu uma nova frente para a expansão da parceria tecnológica com a Rússia. Durante a INNOPROM India, exposição industrial global que conecta fabricantes, compradores e investidores de todo o mundo, realizada entre 9 e 11 de setembro, a Rosatom apresentou um portfólio que vai de reatores de grande porte e pequenos reatores modulares a impressão 3D, materiais compósitos, minerais críticos, metalurgia, digitalização e logística.
A estratégia combina dois movimentos. De um lado, ampliar uma cooperação nuclear que já tem como principal ativo a Usina de Kudankulam, onde duas unidades estão em operação e outras quatro avançam em diferentes etapas. De outro, aumentar a presença em cadeias industriais consideradas estratégicas pela Índia, com transferência de tecnologia e fabricação local.
O movimento ocorre enquanto Nova Délhi trabalha com a meta de alcançar 100 GW de capacidade nuclear até 2047. Na INNOPROM, a Rosatom apresentou o VVER-1200, modelo de reator que a Rússia oferece como uma das alternativas para uma nova central nuclear no país.
“A Índia está desenvolvendo de forma consistente seu setor nuclear e estabeleceu a ambiciosa meta de elevar sua capacidade nuclear para 100 GW até 2047. A Rosatom já contribui de forma concreta para esse objetivo”, afirmou Kirill Komarov, primeiro vice-diretor-geral e diretor de Desenvolvimento e Negócios Internacionais da companhia.
Segundo ele, a parceria pode avançar tanto em unidades de grande capacidade quanto em pequenos reatores modulares. “Nossa parceria vai além da energia nuclear e abrange medicina nuclear, tecnologias aditivas, materiais compósitos e logística”, acrescentou.
Produção local ganha espaço
A diversificação ganhou dimensão prática durante o evento. A Rosatom apresentou o primeiro scanner 3D de projeto russo fabricado por um parceiro na Índia. A localização da produção começou neste ano e, segundo a companhia, permitiu reduzir em 40% o custo do equipamento no mercado indiano, além de garantir o enquadramento na iniciativa “Make in India”.
A fabricação local esteve no centro das discussões da feira. O ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, defendeu que empresas russas avancem dos acordos para operações industriais no país, aproveitando a capacidade produtiva e a mão de obra especializada indianas.
Na área de materiais estratégicos, a Rosatom discutiu oportunidades envolvendo ímãs de terras raras e apresentou possibilidades de cooperação em titânio, zircônio, háfnio e cálcio. O Instituto Giredmet, ligado à corporação, também assinou contrato com a indiana Alt Metals para criar uma unidade-piloto de produção de esponja de titânio.
A agenda incluiu ainda dois acordos na área de digitalização. O JET Engineering and Technology Center firmou parceria com a Syngient Technologies para distribuição da plataforma Repeat Vision, destinada ao projeto e à modelagem de sistemas industriais complexos. Outro memorando, com a EM Services, prevê atuação conjunta em digitalização, manutenção e modernização de instalações de energia.


