Da redação
A equipe da Escola Politécnica da USP, Cherenkov Marine Rats, foi a grande vencedora da etapa brasileira do Global HackAtom 2026, competição internacional promovida pela corporação estatal russa de energia nuclear Rosatom para estimular soluções inovadoras voltadas ao setor nuclear e às aplicações não energéticas da tecnologia nuclear. A seletiva nacional foi realizada nos dias 21 e 22 de maio, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo.
A competição reuniu seis equipes de estudantes e jovens profissionais de algumas das principais universidades e instituições de engenharia do Brasil, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Neste ano, a etapa brasileira foi realizada integralmente em formato presencial. Cada equipe foi formada por cinco estudantes e um professor-orientador. Durante 24 horas, os participantes trabalharam em um desafio relacionado à aplicação de tecnologias nucleares e à busca de soluções inovadoras para energia, indústria, ciência e desenvolvimento sustentável. Os projetos finais foram apresentados a um júri composto por representantes do IPEN-CNEN, da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI, da Rússia, e da Rosatom.
Com a vitória, o grupo brasileiro garantiu vaga na final mundial do Global HackAtom, que acontecerá entre os dias 11 e 17 de setembro de 2026, em Ekaterimburgo, na Rússia, durante o World Youth Festival, um dos principais encontros internacionais voltados à ciência, tecnologia e juventude.
Equipe diversa
A equipe foi formada por João Victor Nick Angelo, Larissa Oliveira Silva, João Pedro Calomeni Eletério, Guilherme Poltronieri Leme da Silva e Natan Rejtman Missrie. O nome da equipe reúne várias referências. Rats está relacionado ao mascote da Poli, como é chamada a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Marine faz referência à Marinha brasileira, de que alguns integrantes fazem parte, e Cherenkov Cherenkov remete ao efeito de mesmo nome, caracterizado pelo brilho azul que pode ser observado em piscinas de reatores nucleares.
“Foi uma oportunidade incrível, e somos gratos pela chance de representar o Brasil. Somos uma equipe improvável e diversa, algo que, de certa forma, reflete a própria identidade brasileira. Competir com grupos fortes e ideias excelentes nos trouxe muito mais que a vitória. Foi uma experiência e uma lição para a vida toda”, afirmou João Victor, capitão da equipe.
A diretora-superintendente do IPEN, Isolda Costa, destacou que a realização do Global HackAtom no Brasil contribui para aproximar uma nova geração de especialistas da ciência e das tecnologias nucleares.
“Estamos felizes em receber novamente os participantes do Global HackAtom no IPEN. Para nós, é muito valiosa a cooperação com a Rosatom em projetos que aproximam os jovens da ciência nuclear e mostram sua importância prática. Os estudantes são o futuro do nosso setor, e apoiar hoje o interesse deles por tecnologia ajuda a construir o desenvolvimento da área nuclear de amanhã”, disse.
Dmitry Samokhin, chefe do Departamento de Física e Tecnologias Nucleares da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI, de Moscou, ressaltou o alto nível de preparação dos participantes brasileiros e a importância do intercâmbio educacional internacional.
“O Brasil possui uma forte tradição em engenharia e um grande interesse de jovens profissionais por desafios tecnológicos modernos. Isso ficou claro pelo nível das equipes que participaram da etapa nacional do Global HackAtom. Para o MEPhI, é importante que esse formato ajude os estudantes não apenas a aplicar conhecimentos de física e engenharia, mas também a compreender como as tecnologias nucleares estão ligadas a desafios reais da ciência e da indústria”, afirmou.
Brasil na final
No ano passado, o Brasil conquistou destaque internacional ao vencer a final mundial do HackAtom com a equipe TupiTech, do Instituto Militar de Engenharia (IME), do Rio de Janeiro. O grupo desenvolveu um reator nuclear modular voltado à exploração espacial e à operação de uma base lunar para suporte a missões interplanetárias. Após o retorno ao Brasil, a equipe foi homenageada no Senado Federal.
O Global HackAtom é um campeonato internacional de engenharia para estudantes e jovens profissionais, realizado com o apoio da Rosatom. Desde 2022, etapas do campeonato já foram realizadas em 17 países, reunindo mais de 1.200 participantes.
As equipes trabalham em um caso prático relacionado a desafios atuais e futuros da indústria nuclear, desenvolvem uma solução de engenharia e a apresentam a um júri especializado. Esse formato ajuda os participantes a desenvolver pensamento de engenharia, trabalho em equipe e compreensão das áreas modernas de aplicação das tecnologias nucleares — da energia e da indústria à medicina, ao espaço, à ecologia e à comunicação científica.


