Marcos Kirst
Sabemos que o mundo está envelhecendo. E o Brasil também. Segundo o último Censo IBGE, a população cresceu menos, está mais envelhecida e feminina.
A pirâmide está perdendo a base e aumentando a cintura: estamos deixando ser um país de jovens para sermos uma nação de meia idade, com as mulheres sendo, pela primeira vez desde 1872, a maioria em todas as faixas etárias em todas as regiões do país.
No total, elas representam 51,5% da população.
A idade média da população aumentou de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022. O pelotão de brasileiros com 65 anos ou mais cresceu impressionantes 57,4% e agora são 10,9% da população, enquando o grupo de crianças e adolescentes que era de 40% em 1980, ficou abaixo da metade (19,8%). Nos últimos doze anos, o total de crianças de 0 a 14 caiu mais de 5,8 milhões.
Essa realidade está mudando o mundo em alta velocidade. Mais do que uma onda, para alguns especialistas, é um tsunami avassalador que altera paradigmas socioeconomicos e exige mudanças drásticas nas políticas públicas.
O lado bom da moeda
Somos nós, entre milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, os sortudos que ganharam as moedas de prata. Esse privilégio beneficia cerca de 10% da população mundial que vai viver mais e melhor do que seus antepassados.
Não estamos falando de trilionários ou bilionários, de herdeiros nascidos em lares abastados, super investidores ou ganhadores da mega-sena.
Falamos de pessoas comuns que depois de uma vida de trabalho duro, criaram seus filhos, conseguiram formar um pequeno patrimônio, ter alguma poupança e conquistar uma aposentadoria que permite “pequenos luxos” como viajar, passar temporadas fora de casa, investir em lazer, cultura e conhecimento.
São os 60+ que atualmente turbinam a economia mundial com sua renda.
Mesmo com recursos moderados, trata-se de um enorme privilégio em um mundo onde a desigualdade nega direitos, oportunidades e vida digna para milhões de pessoas.
A Terceira Idade não mais é o fim da linha
Pense nos seus avós com a sua idade. Eram bem velhinhos, não é mesmo? Eram mais encurvados, mais apagados. Vestiam-se como velhos, comportavam-se como velhos, viviam como velhos, alimentavam-se como velhos. E, de fato, eram velhos. Naquele tempo a sobrevida além dos 65 anos era uma façanha.
Chegar à Terceira Idade era o apito do fim da linha.
Hoje já não é mais assim, tanto que a antiga classificação etária está sendo revista. Até tiram a bengala dos idosos 60+. Atualmente cogita-se passá-la para a Quarta Idade, a nova faixa etária que incluirá os idosos acima de 80 anos.
É uma clara evidência de que estamos sendo mais longevos. Quanto antes começarmos a falar sobre os impactos dessa conquista revolucionária, melhor. Queremos que você participe desse diálogo para usufruir de seus imensos benefícios.
Como aponta um estudo da ALMAP/BBDO, todos os especialistas discordam da ideia de que mudamos ao envelhecer. A verdade é que ficamos cada vez mais quem somos. A coragem de ser quem se é, com menor atenção aos julgamentos externos e internos. Envelhecer é ser cada vez mais quem somos, só que reinventados
Você é um dos protagonistas dessa conversa, mas é preciso mudar rapidamente algumas atitudes diante dessa oportunidade porque como sabemos não existe almoço grátis.
Artigo publicado originalmente no www.longevivendo.com