Da Redação
A Rosatom avalia o uso de usinas nucleares flutuantes em áreas remotas da Amazônia e vê potencial para empregar a tecnologia no fornecimento de eletricidade a operações de exploração e produção de petróleo offshore no Brasil. A análise foi apresentada durante o 51º Simpósio Anual da Associação Nuclear Mundial (World Nuclear Association, WNA), encerrado em 11 de setembro, em Londres.
A possibilidade insere o Brasil em uma discussão que ganha espaço na indústria nuclear internacional: o uso de novas soluções para levar geração contínua a localidades isoladas e atender grandes consumidores com elevada demanda elétrica.
“A Rosatom trabalha ativamente com diversas empresas no Brasil. Estamos preparados para oferecer aos nossos parceiros a melhor opção tecnológica disponível para cada situação específica. Uma usina nuclear flutuante pode certamente ser a solução adequada para vários projetos. Já avaliamos a possibilidade de implantação de uma unidade flutuante de geração de energia em áreas remotas da Amazônia e também vemos potencial para usinas nucleares flutuantes apoiarem atividades de exploração e produção de petróleo offshore”, afirmou Ruan Nunes de Souza, vice-diretor do Centro Regional da Rosatom na América Latina.
Ruan participou de uma sessão dedicada aos grandes consumidores de eletricidade, segmento apontado como um novo mercado potencial para a indústria nuclear.
Expansão exige capital
Realizado sob o tema “Da ambição à ação”, o simpósio reuniu empresas, governos, reguladores, instituições financeiras e especialistas para discutir como transformar as metas de crescimento da geração nuclear em novos empreendimentos.
A diretora de Sustentabilidade da Rosatom, Polina Lion, destacou quatro frentes consideradas essenciais: articulação entre países contratantes, reguladores e fornecedores de tecnologia, fortalecimento das cadeias produtivas e da participação local, formação de profissionais e aproximação com instituições financeiras e grandes consumidores.
“Quanto maior for o diálogo entre profissionais do setor nuclear, formuladores de políticas públicas, universidades, instituições financeiras e especialistas em clima, mais rapidamente encontraremos soluções práticas para triplicar a capacidade nuclear. No fim das contas, a experiência da Rosatom confirma um ponto claro: as ambições globais para a energia nuclear não podem ser alcançadas sem parceria, confiança mútua e diálogo aberto”, afirmou Polina.
Segundo a WNA, a necessidade de financiamento para sustentar a expansão nuclear poderá superar US$ 250 bilhões por ano até meados da década de 2030.
A entidade apresentou durante o encontro o World Nuclear Investment Guide, elaborado para orientar governos, desenvolvedores e instituições financeiras na estruturação dos empreendimentos e mobilização de capital. Irina Skvortsova, chefe do Departamento de Projetos de Negócios Internacionais da Rosatom, participou da preparação do documento.
BRICS concentra mais de 70% da capacidade em construção
Os países do BRICS respondem por mais de 70% da capacidade nuclear atualmente em construção no mundo, segundo dados apresentados pela coordenadora-chefe da Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS, Elsie Pule.
“Os países do BRICS partem de realidades muito diferentes na energia nuclear, desde nações com programas nucleares maduros e capacidades industriais consolidadas até países que estão apenas começando a desenvolver tecnologias nucleares. Essa diversidade é, em nossa avaliação, uma das principais forças da cooperação entre os BRICS”, afirmou.
O Brasil participa da plataforma por meio da ABDAN e da NBEPar. Criada em 2024, a iniciativa reúne organizações de Rússia, China, África do Sul, Irã, Brasil, Bolívia, Etiópia e Egito para ampliar a colaboração no uso pacífico da tecnologia nuclear.
A Associação Nuclear Mundial reúne 275 empresas e organizações de 44 países. O simpósio chegou à 51ª edição em 2026.
