Da Redação
Com a atuação de seu Impact Team 2050, conselho consultivo internacional criado para aproximar jovens lideranças dos debates sobre energia nuclear, clima e desenvolvimento sustentável, a Rosatom inclui experiências do Brasil e da América Latina Brasil em uma agenda global voltada às aplicações pacíficas da tecnologia nuclear e à formação de novas lideranças no setor.
Entre as integrantes da primeira formação do conselho está Joyce Mendes, ativista internacional e especialista em transição energética justa, direitos indígenas e mudanças climáticas na América Latina. Nascida na Colômbia e criada no Brasil e no Paraguai, Joyce atua em diferentes frentes regionais e é cofundadora de organizações como o Centro Latino-Americano de Monitoramento em Geopolítica e Energia e o Centro Educacional e Ambiental de Foz do Iguaçu.
Convidada a integrar o Impact Team 2050 em setembro de 2022, Joyce levou ao grupo uma perspectiva latino-americana sobre os vínculos entre energia, justiça social, desenvolvimento sustentável e segurança climática. A experiência marcou, segundo ela, a passagem de um conhecimento teórico sobre o setor nuclear para uma vivência prática em usinas, laboratórios e centros de pesquisa.
No Brasil, essa atuação se traduziu em iniciativas inéditas de aproximação entre juventude, ciência e tecnologia nuclear. Joyce participou da organização do primeiro Fórum Latino-Americano da Juventude Nuclear, realizado no Rio de Janeiro, que reuniu representantes de sete países sul-americanos e incluiu uma visita técnica à usina nuclear de Angra.
A segunda edição do fórum ocorreu em São Paulo e teve como destaque uma visita ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o Ipen. Na ocasião, jovens interessados na indústria nuclear puderam conhecer o reator de pesquisa IEA-R1 em operação e discutir aplicações da tecnologia nuclear em áreas como energia, saúde, meio ambiente, agricultura, indústria e inovação.
Brasil no mapa da cooperação jovem
A presença brasileira no Impact Team 2050 reforça uma agenda ainda pouco explorada no debate público nacional: o papel das novas gerações na discussão sobre tecnologia nuclear, transição energética e desenvolvimento sustentável. O Brasil já possui usinas em operação, centros de pesquisa reconhecidos e aplicações nucleares relevantes em diferentes setores, mas o tema ainda não tem a projeção correspondente entre o público em geral.
Ao aproximar jovens lideranças de experiências práticas, visitas técnicas e fóruns internacionais, a Rosatom busca ampliar o conhecimento sobre as aplicações pacíficas do átomo e estimular uma nova geração de profissionais, pesquisadores, ativistas e comunicadores capazes de tratar o tema de forma multidisciplinar.
Além da participação brasileira, a primeira formação do Impact Team 2050 reuniu jovens de países como África do Sul, Argentina, Armênia, Cazaquistão, China, Colômbia, Índia e Tailândia. O grupo incluiu cientistas, engenheiros, estudantes e ativistas ambientais, todos envolvidos em projetos ligados a clima, energia, sustentabilidade e cooperação internacional.
Na Argentina, o estudante Ignacio Villarroya, da Universidade Nacional de Cuyo, organizou em Mendoza um hackathon sobre desenvolvimento sustentável com apoio da Rosatom. O encontro reuniu mais de cem participantes em atividades sobre ecologia, energia e soluções para desafios reais de sustentabilidade. Na África do Sul, Princess Mthombeni, fundadora do movimento Africa4Nuclear, desenvolve um projeto audiovisual sobre a crise energética do país e o papel da juventude na construção de uma matriz mais segura e sustentável.
Para Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom, o diálogo com as novas gerações é parte essencial da estratégia de longo prazo da indústria nuclear. “As tecnologias nucleares moldam o futuro por décadas. Para nós, é importante trabalhar em coordenação próxima com a nova geração, envolver jovens talentos, compreender suas necessidades e ouvir suas ideias para desenvolver soluções inovadoras diante dos desafios do futuro”, afirmou.
