Da Redação
A Rosatom avançou nas tratativas com parceiros chineses para ampliar a cooperação científica e tecnológica em torno do reator multipropósito de nêutrons rápidos MBIR. Durante visita de trabalho à China, uma delegação do consórcio líder do Centro Internacional de Pesquisa do MBIR se reuniu com representantes de algumas das principais organizações científicas e industriais chinesas para discutir a realização de experimentos na futura instalação russa. A delegação também visitou estruturas estratégicas de pesquisa no país, entre elas o reator experimental de nêutrons rápidos CEFR e o complexo do ASIPP, onde estão o tokamak EAST, em operação, o BEST, em construção, e laboratórios dedicados à pesquisa em fusão.
No centro das conversas, esteve o potencial do reator MBIR como plataforma de testes para materiais e composições de combustível destinados a reatores rápidos e reatores refrigerados a gás de alta temperatura, além de pesquisas voltadas ao desenvolvimento de materiais para fusão termonuclear controlada. Segundo os participantes, as características do reator, como a alta densidade de fluxo de nêutrons e a possibilidade de operar circuitos de teste com diferentes refrigerantes, tornam a instalação relevante para o avanço de tecnologias nucleares de quarta geração.
“Vemos grande potencial na colaboração com nossos parceiros chineses em energia nuclear de nova geração e no ciclo fechado do combustível nuclear. O Centro Internacional de Pesquisa baseado no MBIR é uma plataforma única para o diálogo aberto e a cooperação entre cientistas, engenheiros e especialistas reunidos em torno desses objetivos”, afirmou Vasily Konstantinov, CEO da IRC MBIR.
Os chineses sinalizaram interesse em aprofundar a interlocução com a Rússia. Guo Limin, secretário-geral da Associação Chinesa de Energia Nuclear, destacou os avanços do setor nuclear no país e reafirmou a disposição de ampliar a cooperação com parceiros russos no desenvolvimento de tecnologias para reatores rápidos. As partes também manifestaram interesse em fortalecer a atuação conjunta no âmbito do Conselho Consultivo do IRC MBIR, desenvolver programas de testes e ampliar a participação de organizações chinesas no programa de pesquisa de longo prazo do consórcio.
Capacidade estratégica
O diálogo prosseguiu em Moscou, em 31 de março, durante reunião com Gan Yong, conselheiro da Embaixada da China. No encontro, os russos voltaram a apresentar as capacidades do Centro Internacional de Pesquisa MBIR e destacaram o potencial da instalação para acelerar programas chineses na área nuclear, com ênfase em testes de materiais e combustíveis para tecnologias avançadas de reatores.
“O reator MBIR possui características únicas e de grande interesse para as instituições chinesas de pesquisa nuclear. Consideramos o desenvolvimento da cooperação com o Centro Internacional de Pesquisa MBIR uma plataforma importante para o avanço da parceria entre Rússia e China em ciência e tecnologia de ponta”, disse Yong.
O MBIR está em construção em Dimitrovgrad, nas instalações do Instituto de Pesquisa de Reatores Atômicos, integrante da divisão de Pesquisa e Desenvolvimento da Rosatom. O empreendimento faz parte do projeto nacional russo voltado à liderança em novas tecnologias nucleares e energéticas. Com potência térmica de cerca de 150 MW, o reator foi concebido para testes em reatores, produção de radioisótopos, obtenção de materiais modificados e ensaios de novos equipamentos e sistemas.
As obras seguem na fase de instalação dos equipamentos do circuito primário. Entre os marcos recentes estão a instalação, em 2025, de filtros-armadilhas frios do sistema de remoção de calor de emergência, a soldagem de adaptadores de tubulações quentes ao vaso do reator, a conclusão da instalação dos principais equipamentos no edifício de armazenamento de sódio e a entrega de mecanismos para manuseio de combustível irradiado. Em 2026, também foram instalados dois trocadores de calor de emergência, com 7,3 toneladas cada.
Consórcio internacional
O Centro Internacional de Pesquisa foi estruturado na forma de consórcio internacional, com o objetivo de garantir aos participantes acesso prioritário à infraestrutura experimental do MBIR para programas nacionais de uso pacífico da energia nuclear. Segundo a Rosatom, o modelo foi desenhado para permitir uso flexível dos recursos do reator e atender às demandas da comunidade científica global.
Atualmente, o consórcio já reúne o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear, o Instituto de Física Nuclear da Academia de Ciências da República do Uzbequistão e a empresa chinesa Shanghai ZDAN International. A expectativa da Rosatom é ampliar essa base com a entrada de novos participantes interessados em pesquisas de longo prazo ligadas à energia nuclear avançada e ao ciclo fechado do combustível.
